Histórico
O Meninas na Ciência é um Projeto de Extensão do Departamento de Física da UFSC, criado em 2020, que tem como objetivo geral estimular o interesse de meninas e mulheres pelas ciências exatas, engenharias e tecnologias, incentivando as na busca e permanência em profissões e carreiras científicas. O projeto é coordenado pelas professoras Drª Gabriela Kaiana Ferreira e Drª Tatiana da Silva e conta com a colaboração de bolsistas e voluntárias, que desenvolvem uma série de atividades envolvendo divulgação científica nas redes sociais, visitas a laboratórios de pesquisa liderados/coordenados por pesquisadoras mulheres, oficinas e práticas científicas, palestras com cientistas mulheres, em especial a fim de combater preconceitos e estereótipos sobre a presença de mulheres nessas áreas.
Histórico
O Meninas na Ciência teve início em 2020, em um contexto marcado pelo distanciamento social, o que orientou suas primeiras ações para o ambiente virtual. Nos dois primeiros anos (2020 e 2021), a equipe dedicou-se à criação da identidade visual do projeto, ao desenvolvimento de materiais de divulgação científica e ao gerenciamento do perfil no Instagram (@meninasnaciencia_UFSC). As publicações abordavam reflexões sobre a participação das mulheres nas ciências, divulgação de práticas científicas, indicações de leituras, filmes e aplicativos, além de lives e entrevistas com cientistas que compartilharam suas trajetórias acadêmicas e profissionais. Paralelamente, o projeto participou de seminários nacionais e internacionais de ensino, pesquisa e extensão, consolidando sua inserção acadêmica. A rede social permanece ativa até hoje, funcionando como espaço de divulgação das ações presenciais e de articulação com as centenas de participantes que, anualmente, integram as atividades do projeto.
Com a retomada das atividades presenciais na UFSC, em 2022, o projeto ampliou significativamente seu alcance. Iniciaram-se visitas a escolas, ações de divulgação de olimpíadas científicas, rodas de leitura e discussão sobre trajetórias de cientistas mulheres, visitas a laboratórios de ensino e pesquisa, além de palestras voltadas a meninas e mulheres da educação básica e do ensino superior. Entre as ações de maior destaque esteve a palestra da professora Débora Peres Menezes, membro da Academia Brasileira de Ciências e presidente da Sociedade Brasileira de Física à época, que compartilhou sua trajetória na ciência e reforçou a importância do incentivo às meninas nas áreas de STEM para um público de cerca de 50 estudantes. Também se destacaram as visitas aos Laboratórios de Ensino e Projetos de Extensão da UFSC, como o LABIDEX (Laboratório de Instrumentação, Demonstração e Experimentação), o QUIMIDEX (Laboratório de Pesquisa, Ensino e Divulgação da Ciência) e o Observatório Astronômico, além de laboratórios de pesquisa como o LEMA (Laboratório de Espectrometria Atômica e de Massa) e o LEMAQ (Laboratório de Mamíferos Aquáticos), proporcionando às participantes experiências diretas com diferentes áreas do conhecimento científico.
Em 2023, o projeto deu continuidade às ações que apresentaram maior adesão e incorporou novas iniciativas. Um dos marcos do ano foi a participação no Programa Caça a Asteroides, voltado à formação de cientistas cidadãos. A equipe do Meninas na Ciência, composta por estudantes da educação básica e do ensino superior com idades entre 13 e 22 anos, ofereceu treinamento específico e, durante as campanhas, detectou oito possíveis asteroides (aqui) — um na campanha nacional e sete na internacional — mantendo-se ativa em novas edições. O projeto também participou da Semana de Pesquisa, Ensino e Extensão (SEPEX) da UFSC, integrada à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, apresentando ao público suas atividades e resultados (aqui). Ainda no mesmo ano, foram realizadas oficinas em escolas da educação básica, como a oficina de telescópios e asteroides desenvolvida com uma turma de 4ª série de uma escola pública de Florianópolis. Nessa atividade, as crianças tiveram contato com conceitos científicos relacionados à construção e ao uso de telescópios, conheceram a contribuição da cientista Marcia Rieke para o desenvolvimento do James Webb Space Telescope e aprenderam sobre o processo de detecção de asteroides (aqui).
O ano de 2023 também foi marcado pela criação de um grupo de estudos sobre trajetórias de cientistas mulheres, que culminou no início da escrita do livro de divulgação científica Meninas Brilhantes: a história de Estrela (aqui). A atividade contou com a participação de três estudantes do ensino médio bolsistas PIBIC-EM e resultou na publicação da obra em 2024, atualmente em sua segunda edição, com tiragem de 1000 exemplares. Paralelamente, desenvolvemos o jogo didático “Trilha das Cientistas”, que apresenta as contribuições e trajetórias de 30 mulheres nas áreas de STEM (aqui). O jogo foi apresentado na SEPEX e atraiu um público de diversas idades. Outros jogos foram desenvolvidos em 2024 e 2025.
Impulsionado pelos resultados alcançados em 2023, o projeto consolidou e expandiu suas ações em 2024. A participação no Programa Caça a Asteroides foi ampliada, com a oferta de treinamentos para líderes e a formação de 11 equipes compostas por meninas e mulheres, que participaram de 16 campanhas e detectaram 10 candidatos a asteroides. No mesmo período, foi desenvolvido o jogo didático acessível “Enigma das Cientistas” (aqui), ampliando o compromisso do projeto com a inclusão de pessoas com deficiência visual. Também foram realizadas palestras em instituições de educação básica e superior, participação em feiras científicas e a publicação do livro A história de Estrela, da série Meninas Brilhantes (aqui). Além das ações de extensão, o projeto fortaleceu sua dimensão acadêmica com a apresentação de resultados em eventos nacionais e internacionais, publicações em anais, de capítulo de livro (aqui), bem como de artigos científicos oriundos das discussões e investigações desenvolvidas desde 2022 (aqui e aqui).
Em 2025, o projeto Meninas na Ciência deu continuidade ao seu processo de consolidação institucional e ampliação de impacto, mantendo o trabalho coletivo como eixo estruturante das ações. Ao longo de todo o ano, a equipe (composta por coordenação, bolsista e voluntárias) realizou reuniões periódicas de planejamento e avaliação, assegurando a organização das atividades e o atendimento às demandas de instituições parceiras. Paralelamente, manteve ativa a produção de conteúdo no Instagram (@meninasnaciencia_ufsc), com destaque para a série “Trajetórias de Cientistas”, dedicada à área de Física de Partículas. Nessa série, foram apresentadas as pesquisadoras Carla Gobel Burlamaqui de Mello e Érica Ribeiro Polycarpo Macedo, articulando textos formativos e vídeos sobre o estudo da matéria, o funcionamento do CERN e mensagens de incentivo às meninas e mulheres interessadas na área (1ª publicação da série de 10 postagens disponível aqui).
Como desdobramento dessas ações formativas, a equipe realizou, em maio de 2025, a MasterClass de Física de Partículas, com palestras de pesquisadores convidados, atividades práticas de análise de dados — como a caça ao méson D0 — e visita virtual ao CERN, envolvendo estudantes do ensino médio e da graduação em uma experiência de aproximação com a pesquisa científica internacional (aqui). Ao longo do ano, também foram promovidas palestras em escolas e outras instituições de ensino, alcançando estudantes, professores(as), bibliotecários(as) e comunidade acadêmica, fortalecendo o diálogo sobre equidade de gênero e participação feminina nas ciências (aqui e aqui).
Em parceria com outros projetos do Departamento de Física da UFSC, a equipe organizou a mostra “ELAS na Física Quântica”, exibida durante a Semana de Ciência e Tecnologia Quântica. A exposição apresentou totens com imagens e biografias de mulheres que contribuíram para o avanço da Física Quântica, dando visibilidade a trajetórias historicamente invisibilizadas e reafirmando, para meninas e jovens mulheres, a possibilidade concreta de ocuparem esses espaços. O MnC também apresentou a mesa temática “Mulheres na Ciência e Tecnologia Quântica” (aqui).
O Programa Caça Asteroides permaneceu como uma das ações de maior mobilização. Em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a International Astronomical Search Collaboration, o projeto organizou equipes, promoveu treinamentos e participou de duas campanhas ao longo do segundo semestre, envolvendo 87 meninas e mulheres. Foram produzidos vídeos tutoriais que ampliaram o alcance da formação e otimizaram o tempo de treinamento, resultando em maior adesão às atividades (aqui). Ao final das campanhas, somaram-se 70 asteroides preliminares identificados pelas equipes vinculadas ao projeto. O encerramento ocorreu em novembro, com uma cerimônia de premiação que reuniu 112 participantes, entre estudantes, familiares, professores(as), autoridades e comunidade externa, celebrando o protagonismo das meninas na produção de conhecimento científico (aqui).
No campo dos materiais didáticos e de divulgação, 2025 também foi marcado pelo desenvolvimento do jogo de quebra-cabeça “Peças da Ciência”, criado para apresentar de forma lúdica trajetórias de mulheres cientistas e ampliar o reconhecimento de suas contribuições (aqui). O jogo foi aplicado em diferentes espaços formativos, incluindo a SEPEX, onde o projeto contou com estande próprio e interagiu com aproximadamente 300 pessoas (aqui) e o II Seminário de Extensão na Pós-Graduação da UFSC (aqui), ocasião em que foi realizada uma oficina para educadores. Ao final da oficina, professoras participantes receberam exemplares dos jogos “Peças da Ciência” e “Enigma das Cientistas” e posteriormente os aplicaram em escolas do município, ampliando o alcance das ações para além da universidade.
O ano de 2025 marca um momento de maturidade do projeto, evidenciado pela ampliação do alcance das ações, pelo fortalecimento das parcerias institucionais e pela diversificação das estratégias formativas. A integração entre atividades presenciais, produção de materiais didáticos, formação de equipes e participação em programas científicos nacionais demonstra a solidez da proposta e sua capacidade de adaptação e crescimento contínuo. Desde sua criação, o Meninas na Ciência vem se estruturando como um ambiente de aprendizagem, engajamento e transformação social. Ao promover o encontro entre universidade e educação básica, estimular a participação ativa em práticas científicas e dar visibilidade às trajetórias de mulheres na ciência, o projeto contribui para que meninas e jovens mulheres ampliem suas perspectivas acadêmicas e profissionais, reconhecendo-se como parte legítima e atuante da comunidade científica.
O Projeto de Extensão Meninas na Ciência da UFSC está comprometido com a construção de espaços e oportunidades para meninas e mulheres que tenham interesse em conhecer as ciências exatas e tecnológicas e que desejam seguir profissões nessas áreas.


